Sábado, 18 de Abril, 2026

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Vice-Presidente exalta valorização dos símbolos da resistência

Ondjiva- O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, enalteceu neste sábado, em Ondjiva, a valorização dos escombros do antigo comissariado da província do Cunene, como símbolo que perpetua a história da libertação dos países da África Austral.

O Vice-Presidente, que falava durante uma visita ao local, disse que os  escombros constituem um símbolo que traz à memória as diferentes etapas da invasão do território nacional pelas tropas da África do Sul.

Sustentou que a classificação destes escombros, por parte do Ministério da Cultura, é uma medida acertada, que faz recordar tudo aquilo que o povo do Cunene teve que passar para que os irmãos da Namíbia e da África do Sul tivessem a sua independência.

Entretanto, referiu haver necessidade de remodelar o espaço, com um formato atractivo, para permitir que seja um ponto de referência obrigatória do turismo de guerra, a exemplo da Alemanha.

O Vice-Presidente considerou a província do Cunene como referência de pontos de guerra da resistência à ocupação colonial e sul-africana no país, destacando as batalhas da Môngua e da Cahama.

Realçou ainda o projecto do ministério do Turismo em traçar o roteiro para definir os pontos onde foram travadas diferentes batalhas, como de Oshietekela e Cassinga.

Classificados através Decreto Executivo nº 100/21, de 20 de Abril, os escombros localizados por detrás da actual sede do governo do Cunene são  um importante marco de Angola na luta transnacional contra a segregação racial e social (apartheid) do então regime sul-africano.

A invasão sul-africana concretizou-se no Cunene a 23 de Agosto de 1981, onde as Forças de Defesa e Segurança da África do Sul invadiram Angola, numa operação denominada protela, que obrigou a retirada da administração do Estado e deslocaram-se a Castanheira de Pêra (Huíla).

Esta invasão originou diferentes batalhas com destaque para a do Môngua, Xangongo, Naulila, Shamutete, Cuvelai, Tchipa e Calueque, que eleva o Cunene a um símbolo da resistência da luta pela independência da Namíbia, em 1990, e a queda do regime do apartheid na África do Sul, em 1994.

Vice-Presidente homenageia Rei Mandume ya Ndemufayo

Durante a jornada de trabalho ao Cunene, o Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, rendeu homenagem ao rei Mandume ya Ndemufayo,   falecido a 6 de Fevereiro de 1917, com a deposição de uma coroa de folhas de Omufiati no seu túmulo.

Durante a visita, Bornito de Sousa, recebeu explicação do Conselheiro para as Relações Públicas e Cooperação do reino de Oukwanhama, Bernardo Hilundilua, que abordou aspectos sobre a constituição do memorial e resistência contra a ocupação colonial portuguesa na região sul de Angola.

Em declarações à ANGOP, à margem da visita, o actual rei de Oukwanhama, Jerónimo Haleinge, reconheceu que a visita do Vice-Presidente ao local reveste-se de um grande significado que traduz o respeito e valor pela cultura nacional.

Disse que vem ainda reconhecer a determinação do rei Mandume ya Ndemufayo,   na resistência contra a ocupação colonial, ao comandar os destinos do povo Kwanhama, nos períodos mais difíceis da história da região sul, entre 1911 a 1917”, destacou.

Para enaltecer a figura do rei, o Executivo angolano construiu em 2000, o complexo turístico, em sua memória, na localidade do Oihole, a 45 quilómetros da cidade de Ondjiva.

O Complexo Memorial do Rei Mandume foi inaugurado em 2002, pelo então  Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos,   na presença do ex-presidente da Namíbia Sam Nujoma.

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