A maior parte de invenções tecnológicas registadas em Angola é de requerentes estrangeiros, estando relacionadas com a indústria petrolífera, revelou a directora-geral adjunta para a Área Técnica do Instituto Angolano da Propriedade Intelectual (IAPI).
Carla Carvalho proferiu estas declarações no final de uma conferência consagrada à “Investigação, Invenção Inovação e Indústria: inter-conectividade, desafios e oportunidades”, realizada sexta-feira, em Luanda, pelo Instituto Nacional de Inovação e Tecnologias Industriais (INITI), do Ministério da Indústria e Comércio.
A directora-geral adjunta defendeu, nessa acepção, uma maior aproximação do Ministério da Indústria e Comércio com as universidades, para estimular, no país, a actividade tecnológica e a inovação, com base no apoio a jovens talentos que, dessa forma, podem contribuir para desenvolver tecnologias que ajudem a alavancar outros sectores da economia.
Segundo Carla de Carvalho, o país está a registar um crescimento de proponentes nacionais que contactam o IAPI para registar marcas, mas o mesmo não sucede no capítulo das invenções tecnológicas, o que está alinhado à evolução observada em África, um continente que só representa 6,0 por cento da propriedade intelectual mundial.
A responsável sublinhou um elevado défice criativo do continente em relação a Europa e determinados países do Sudoeste Asiático e América Latina, mas lembra que Angola tem nível de paridade satisfatório em comparação com as principais economias africanas, numa altura que “o desenvolvimento tecnológico é a base para o alcance do desenvolvimento económico sustentado”.
A fonte declarou que o IAPI está a superar as limitações financeiras e administrativas por intermédio da rigorosa gestão dos recursos cabimentados no Orçamento Geral do Estado, a obtenção de receitas provenientes do registo de marcas e pela parceria com instituições internacionais, num intercâmbio que permite a absorção de conhecimentos valiosos aos técnicos nacionais.
“O Instituto tem vindo, desde a sua criação, a potenciar-se em prol de um trabalho cada vez mais eficiente junto dos utentes da propriedade industrial. Não quer isto dizer que estejamos muito bem financeiramente, mas, tecnicamente, temos parcerias homólogas, tais como o INPI de Portugal e o Escritório Europeu de Patentes, no sentido de formar os técnicos examinadores de patentes”, disse.
O encontro, aberto pelo director-geral do INITI, Adérito Pusselama, contou com a participação de representantes de várias instituições ligadas ao ramo das tecnologias e inovação, que apresentaram ideias para que Angola possa encontrar as melhores vias para o alcance do crescimento no domínio da inovação e das tecnologias.
Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Angola.

