Domingo, 3 de Março, 2024

Produtores sem mercado para vender 500 toneladas de citrinos

Produtores de citrinos do município da Humpata, província da Huíla, se vêem a braços para escoar e vender mais de 500 toneladas de limão, laranja e tangerina, devido a limitações de acesso aos principais mercados, no quadro do Estado de Emergência.

Em situações normais, clientes de várias províncias se deslocam ao município e compram a fruta para ser encaminhada e revendida em outros mercados, tanto nesta região, como nos demais pontos de venda espalhados pelo país.

Mas este movimento foi quebrado com a entrada em vigor do Estado de Emergência. Apesar do afrouxamento das medidas de restrição, ainda é tímida a sua retomada, pelo que os agricultores enfrentam dificuldades para escoar a produção.

Neste momento, os fazendeiros dizem ser obrigados a baixar os preços da laranja, limão e da tangerina para evitar que apodreça, diante da ausência dos potenciais compradores, geralmente oriundos das províncias de Benguela e Luanda.

Joaquim Chicolomuenho, administrador de uma fazenda, disse que “os camionistas já não aparecem para levar a fruta para os principais mercados de consumo, particularmente o de Luanda, que inclui fábricas de derivados, como de compotas, sumos e outros”.

A baixa procura, prosseguiu, tem causado enormes prejuízos e assola muitos produtores e fazendeiros, que anualmente produzem mais de 500 toneladas de citrinos, neste município.

“Temos muita produção só os preços é que estão muito baixos mesmo. Esse saquinho de ráfia vermelho tem 25/30 kg e estamos a vender entre 800 a mil kwanzas, assim não dá”, lamentou João Caviel, agricultor.

Por sua vez, a directora municipal da Agricultura, Flora Fernandes, disse que os resultados da 1ª fase da presente campanha agrícola são positivos e defende a necessidade de se melhorar o escoamento.

“Este ano temos muita fruta, como podemos ver até a esta altura ainda temos maçã. Antes do início da pandemia, os mercados do Namibe, Cunene, Benguela e Luanda eram os mais preferenciais. Actualmente o comércio é feito no mercado interno”, concluiu.

O município da Humpata, pelo seu clima tropical, é o maior produtor de frutas na Huíla, com uma safra anual fixada em quase cem mil toneladas, entre morangos, maçã, pêssego, pêra, citrinos, entre outras.

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