Segunda-feira, 15 de Abril, 2024

Estado precisa de moratória para quitar dívida pública – Economistas

O Governo angolano deve solicitar uma moratória, de pelo menos três anos, para pagar a dívida pública, a fim de se dedicar ao fomento da economia nacional, defenderam hoje economistas angolanos.

A dívida financeira do país está avaliada em UDS 67 mil milhões, sendo a China o principal credor de Angola, com um stock avaliado em USD 23 mil milhões, enquanto a dívida comercial (atrasados) está entre dois a três mil milhões de dólares.

Sobre o assunto, o economista Carlos Padre afirmou que se o Executivo angolano evitar o recurso a uma moratória, terá muitas dificuldades de fomentar a economia nacional por via do investimento privado e, ao mesmo tempo, pagar a dívida à China, ao Banco Mundial e ao FMI.

A renegociação de empréstimo, segundo o técnico, é um processo que vai possibilitar a aposta no financiamento à economia, dispersar o financiamento para as micro, pequenas e médias empresas, evitando a concentração em alguns empresários.

Na sua óptica, a economia angolana não deve parar de funcionar devido à Covid-19, porque as empresas, cooperativas de camponeses, artesãos e de operários devem continuar a funcionar.

Apesar da Covid-19, disse o entrevistado, o Estado tem de priorizar a conclusão dos grandes investimentos públicos (infra-estrutura), principalmente os que estão em fase final, assim como a aposta na actividade que fomenta a economia, para alavancar as empresas.

Justificou a sua posição com o facto de serem investidos valores avultados em obras, cuja conclusão está entre 10 e 15 por cento e o acabamento deve constar das  prioridades.

Considerou “louváveis” às medidas adoptadas pelo Executivo, para acelerar a produção interna de bens de consumo, mas é de opinião que as associações empresariais e cooperativas deveriam ser inseridas neste processo para a obtenção de melhores resultados.

Para que a economia nacional seja funcional, o sector privado deve estar ao lado do Estado. “Numa economia de mercado, o sector privado deve ser o cavalo que puxa as carroças”, disse.

O economista Carlos Rosado advoga que o Estado deve continuar a compensar as famílias e as empresas pela situação do Estado de Emergênia que o país viver.

“Para que isso acontecesse o Estado tinha de ter dinheiro, mas não o tem, devido ao problema orçamental”, justificou.

Em relação ao apoio às empresas (empréstimo), afirmou que estas medidas não terão resultados imediatos na aceleração da produção interna de bens de consumo.

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